Veja os cadernos de prova do Enem 2011


O Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) acaba de divulgar os cadernos de prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011. As provas foram realizadas no sábado (22) e no domingo (23).

Veja os cadernos de prova do Enem 2011

Primeiro dia Segundo dia

Azul

Amarelo


Amarelo

Cinza


Branco

Azul


Rosa

Rosa


Os professores do Curso e Colégio Objetivo fizeram a correção online comentada do segundo dia de provas do Enem. No mesmo link, você pode conferir as respostas das questões do primeiro dia:

CONFIRA A CORREÇÃO ONLINE

REVEJA A COBERTURA COMPLETA DO ENEM 2011

PARA PROFESSORES, CANDIDATOS TIVERAM POUCO TEMPO PARA RESPONDER AS QUESTÕES

Como foram as provas

Candidatos ouvidos pelo UOL Educação relataram que o primeiro dia de provas do Enem foi tranquilo, porém cansativo. Para alguns, as questões do exame deste ano estavam bem mais complicadas e com uma quantidade de textos maior em relação aos anos anteriores. No segundo dia de prova, a grande "vilã" apontada pelos candidatos foi matemática. A redação, com o tema "Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado", foi elogiada pelos estudantes.

O estudante de Curitiba Cleverson Adriano de Souza, 18, considerou o segundo dia "mais fácil". "Gosto de matemática. E a redação teve um tema da atualidade [redes sociais]", diz. Perguntado se achou o tema fácil, ele respondeu: "Ah! Sou jovem, né? tem que estar por dentro", afirmou.

Em São Paulo, Flavio Nogueira, 27, disse que as questões de exatas estavam "bem mais complicadas". "Português foi mais fácil. A redação falava de internet, achei um tema fácil de elaborar, é uma situação do nosso cotidiano", afirmou.

Quem também achou a prova de matemática difícil foi Kaique Romão, 17. "Além de compreender o texto, você tinha que fazer conta também". Para ele, o mais fácil foi responder as questões de inglês: "Dava para entender mais e os textos eram um pouco menores".

Everaldo Mece da Silva, 25, fez o Enem em 2008 e achou a prova diferente e bem mais difícil. "Foi muito cansativo, no final já estava louco. Antes era mais curta".

Redação

O jornal O Globo, em seu site, divulgou o tema da redação do Enem 2011 ("Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado") às 13h59 - a reportagem do UOL visualizou a matéria pela primeira vez às 14h34. Os primeiros candidatos só poderiam começar a sair dos locais de prova às 15h.

Questionado, o MEC (MInistério da Educação) confirmou o tema. Segundo a pasta, isso não configura quebra de sigilo da prova, uma vez que o tema foi divulgado depois de o início da mesma. Para o MEC, o fato não configura falha na segurança.

Para Maria Aparecida Custódio, professora do laboratório de redação do Colégio Objetivo, o tema da prova de redação do Enem teve bastante identificação com o público jovem. Segundo ela, os candidatos tiveram facilidade para discorrer sobre o assunto deste ano: "Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado".

Problemas de segurança

Esta edição do Enem 2011 teve problemas pontuais, principalmente de segurança. No sábado, um repórter do jornal "O Estado de São Paulo" foi convocado em frente a um local de provas na capital paulista para ser fiscal, mesmo com a presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Malvina Tuttman, tendo prometido que os ficais seriam exaustivamente treinados.

Além disso, um fotógrafo trabalhando para UOL conseguiu tirar fotos de dentro de sala de aula, o que era proibido pelo MEC. Os fiscais não o interromperam em momento algum e o profissional estava devidamente identificado.

Houve, também, casos de alunos que foram retirados de sala por estarem tuitando: oito no sábado, três neste domingo.

Fonte – UOL Educação

ENEM 2011

Com 5,4 milhões de inscritos (o maior número da história), as provas da edição 2011 do Enem começam hoje e valerão na seleção de mais de 260 mil vagas no ensino superior no ano que vem.

O Enem é utilizado em processos seletivos de universidades federais. De acordo com levantamento feito pela Folha, a prova será considerada na seleção de ao menos 105 mil universitários.

As instituições federais usam a prova de diferentes modos: como única forma de seleção ou mecanismo complementar ao vestibular.

Nesse número não estão consideradas as vagas disponíveis nos institutos federais, que oferecem formação superior tecnológica, que também utilizam a prova. O Ministério da Educação ainda não tabulou esses dados.

A avaliação também escolhe os bolsistas em instituições privadas via Prouni.

Considerando as últimas edições do programa, deverão estar disponíveis no primeiro semestre do ano que vem cerca de 160 mil bolsas -quantidade aproximada de 2010 e deste ano.

Somando as vagas nas universidades federais e no Prouni, significa que o Enem influenciará em ao menos 10% dos novos postos a serem oferecidos no ensino superior do país em 2012.

Na tentativa de reduzir problemas no exame, o Inep (instituto do MEC que aplica o Enem) contratou empresa de gerenciamento e avaliação de risco, que acompanhou processos como a logística de distribuição das provas.

O Inmetro também foi contratado para acompanhar a impressão e a distribuição dos cadernos de provas. Mesmo com o novo aparato, o Inep alterou dez locais de prova que estavam sem condições de uso.

Fonte – Folha.com

Enem acaba hoje com prova de linguagens, matemática e redação

Os cerca de 5 milhões de alunos que participam hoje do segundo dia de exame do Enem devem ficar atentos às exigências feitas para a redação. Fugir do padrão significa zerar nesse quesito.

O texto dissertativo deve ter entre 7 e 30 linhas. Não abordar o tema proposto leva à anulação dessa prova. Os candidatos devem chegar às 12h ao local de prova, pois os portões serão fechados às 13h.

Neste domingo serão cinco horas e meia para resolver 90 questões de matemática e linguagens, além da redação.

O estudante deve levar documento de identidade original e caneta esferográfica de cor preta. A recomendação do Inep (instituto do MEC que aplica o Enem) é que o estudante chegue às 12h no local da prova, horário em que as portas são abertas.

Se utilizados pelos candidatos, os trechos de textos das questões objetivas não entrarão no cômputo de linhas nem serão considerados na correção da redação. Desenhos também serão descartados e podem levar à anulação da redação.

Nos últimos anos, educadores e estudantes têm criticado o sistema de correção dos textos. Nesta edição, o Inep (instituto que aplica o exame) alterou o processo.

Antes, cada redação era corrigida por dois avaliadores. Uma terceira avaliação só era feita se as notas tivessem mais de 500 pontos de diferença, numa escala de 0 a 1.000. Agora, a correção extra será feita a partir de 300 pontos de discrepância.

Na prova objetiva, o estudante deve manter a opção feita na inscrição em relação à língua estrangeira -se optou por inglês, não poderá mudar para espanhol hoje.

Fonte – Folha.com

Pretensões políticas de Haddad dependem do sucesso do Enem 2011, dizem especialistas

Pretensões políticas de Fernando Haddad estão em jogo com Enem, dizem especialistas

Além da consolidação do modelo atual do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o futuro político do ministro Fernando Haddad (PT) também está em jogo neste final de semana. Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que eventuais problemas nesta edição, como os que aconteceram nas últimas duas edições, podem minar as chances de ele se tornar candidato à Prefeitura de São Paulo.

“Algum outro desastre no Enem neste ano seria como se fosse o beijo da morte para o ministro”, afirma David Fleischer, professor do Departamento de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília). “Se ele for candidato, tem que torcer para o Enem dar certo.”

Segundo Milton Lahuerta, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), o Enem é o “telhado de vidro” de Haddad em uma eventual campanha. “De jeito nenhum será um tema confortável. O que aconteceu [erros nas provas anteriores] já é suficientemente complexo”, diz.

As edições de 2010 e 2009 foram marcadas por uma série de problemas. No ano passado, as folhas de resposta vieram com cabeçalhos trocados e alguns cadernos de prova vieram com deficiências de impressão. Em 2009, a prova vazou e foi necessário adiar a data de aplicação.

Fortalecimento

Por outro lado, afrima Fleischer, um Enem sem percalços pode facilitar a vida do ministro em uma possível campanha. “Se o Enem for bem sucedido, fortalece a candidatura dele”, diz. De acordo com o pesquisador, isso pode gerar um ciclo de boas notícias e de publicidade positiva.

Lahuerta lembra, no entanto, que, mesmo com tudo dando certo neste ano, o tema deve voltar à baila no período eleitoral. “Eleição, campanha eleitoral, é algo que não passa só sob racionalidade. Essa questão [Enem] poderá ganhar maior ou menor impacto. Mas não é um bom portfólio duas edições desastradas”, afirma.

Consultado, o ministro Fernando Haddad disse, por meio de sua assessoria, que não iria se pronunciar.

Rafael Targino Em São Paulo - UOL Educação

Meio milhão vão fazer Enem em busca do diploma do ensino médio

Número de interessados cresce a cada ano:

Parte dos 5,3 milhões de candidatos que farão as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no final de semana não tem como principal objetivo conseguir uma vaga em universidade pública ou uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni). Cerca de 545 mil participantes declararam na ficha de inscrição que estão em busca do certificado de conclusão do ensino médio, que pode ser obtido sem que a etapa tenha sido concluída a partir do desempenho na prova.

Desde 2009, participantes maiores de 18 anos que por algum motivo não tenham concluído a educação básica na idade esperada podem conseguir o diploma de ensino médio por meio do Enem. O número de interessados cresce a cada ano: em 2009, 197 mil candidatos fizeram o Enem com o objetivo de obter a certificação. Em 2010, o número saltou para 539 mil. O documento é expedido pelas secretarias de educação e institutos federais.

O aluno pode pedir o certificado de conclusão por disciplina ou de toda a etapa. Para isso, precisa atingir notas mínimas que são estipuladas pelo Ministério da Educação (MEC). Em 2009, apenas 69 mil atingiram a nota exigida e conseguiram o certificado. Em 2010, 110 mil foram declarados aptos.

A copeira Pâmela Miranda, 28 anos, espera adiantar os estudos por meio do Enem. Ela é aluna do ensino médio no Centro de Estudos Supletivos da Asa Sul (Cesas), que oferece educação de jovens e adultos em Brasília. “A gente economiza tempo assim e o que sobra podemos estudar para passar em um concurso. Esse é o meu objetivo”, conta a estudante. Ela aproveita as aulas para tirar dúvidas com os professores sobre a prova e quando sobra tempo estuda em casa.

Lílian de Jesus dos Santos, 32 anos, usa o sábado e o domingo para estudar para o Enem, já que durante a semana trabalha como doméstica. Grávida de sete meses do seu primeiro filho, ela espera que com o diploma do ensino médio possa tentar uma vaga em um curso técnico na área de nutrição. “Estudar à noite é puxado. Mas quando você tem um objetivo você não desiste”, diz.

Ela está dando atenção especial à preparação para a redação, temida pela maioria dos candidatos. “É prioridade porque vale mais pontos”, explica.

Estelita Nascimento, 42 anos, conta com a ajuda do filho que é estudante de sociologia na Universidade de Brasília (UnB) para se preparar para o Enem. “Estou estudando pelas provas que ele já fez. Foi ele quem fez a minha inscrição e puxa minha orelha para eu estudar”, conta. Depois de concluir o ensino médio, ela quer cursar enfermagem.
As provas do Enem serão aplicadas neste fim de semana em 40 mil locais de prova, às 13h (horário de Brasília). No sábado, as provas serão de ciências humanas e da natureza. Já no domingo, os candidatos responderão a questões de matemática e língua portuguesa, além da redação.

Mais de 4,6 mil estudantes tiveram locais de prova do Enem alterados

O MEC (Ministério da Educação) confirmou nesta quarta-feira (19) que 4.606 alunos tiveram os locais de prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2011 alterados. Veja a relação:

Número de alunos com locais de prova alterados

Manaus (AM) 1.456

Humaitá (AM) 388

Além Paraíba (MG) 334

Cametá (PA) 224

Paranóa (DF) 512

São Gonçalo do Amarante (CE) 80

Fortaleza (CE) 492

Rio de Janeiro (RJ) 1.120

Total 4.606

O ministério afirmou que, a princípio, não há nenhuma outra área crítica, mas que, se for necessário, poderá haver outras alterações até o dia da prova.

De acordo com o MEC, todos foram avisados das mudanças por telefone, e-mail e mensagem de texto. No dia da prova os locais terão faixas, cartazes e fiscais informando o endereço correto. Se for preciso, o órgão oferecerá transporte gratuito para esses candidatos. No dia da prova os locais terão faixas, cartazes e fiscais informando o endereço correto. Se for preciso, o órgão oferecerá transporte gratuito para esses candidatos.

No Rio de Janeiro, 1.027 candidatos receberam o cartão de confirmação com o endereço errado. Os dois endereços, o certo e o errado, ficam dentro da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro). Os candidatos receberam o cartão com o endereço da Reitoria (av. Pasteur, 296, Urca), quando o correto era o endereço do Centro de Letras e Artes (av. Pasteur, 436, Urca).

Os estragos provocados pelas chuvas são apontados como o motivo do realocamento dos candidatos das quatro escolas do Amazonas. O barulho provocado por um festival de motociclismo causou a mudança em Além Paraíba, Minas Gerais. A festa do padroeiro da cidade de Cametá, no Pará, ocasionou a transferência de candidatos para outras localidades.
No Distrito Federal, os estudantes foram transferidos da zona rural para a zona urbana por conta de dificuldades com o transporte público. Em Fortaleza, problemas com as salas de aula impediram a realização do exame no local de prova indicado primeiramente para os alunos.

Prova

Mais de 5 milhões de candidatos estão inscritos no exame. Ao UOL Educação, o ministro Fernando Haddad disse que o Enem está cercado “do que há de melhor na inteligência do país”, na tentativa de evitar as trapalhadas das duas últimas edições, que incluem o vazamento de 2009 e os erros de impressão de 2010. Nesse ano, um grupo de alunos precisou refazer o exame após receberem cadernos de testes com questões faltantes e repetidas.

Fonte – UOL Educação

São Paulo lidera consolidação do Enem

Dos 5,3 milhões de inscritos, 901 mil são de São Paulo e 335 mil do Rio

Antes encarado como uma prova que não era bem um vestibular, o Enem se consolidou como uma prova que tem suas dificuldades - mas, principalmente, particularidades. Se em São Paulo, onde ainda não é usado como seleção para as principais universidade estaduais (USP, Unicamp e Unesp), a preocupação já é grande em desvendar a prova, no Rio de Janeiro essa atenção cresceu consideravelmente neste ano.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aderiu ao exame como forma de seleção, causando estranheza entre estudantes. "Preferia o vestibular tradicional da federal, media mais a qualidade. Acho a prova do Enem muito estranha", diz Wallace Pappacena, de 18 anos, que quer cursar Direito na UFRJ.

O coordenador do cursinho Miguel Couto, do Rio, Antonio Bottino, avalia que a preocupação entre os estudantes cariocas é que agora a concorrência ficou ainda maior. "No Rio, cada prova tinha uma característica, e havia um perfil restrito de candidatos. Agora, com o Enem, a concorrência é com Brasil inteiro."

De acordo com ele, o cursinho reforçou o foco no Enem. Dos 5,3 milhões de inscritos. 335 mil são do Rio. O maior número de inscrições está em São Paulo: 901 mil.

Paulo Saldaña - O Estado de S. Paulo

Dos professores, de todos os dias

A complexidade de nosso mundo é a complexidade da nossa escolas

Nei Alberto Pies*

“As verdadeiras questões da educação resultam de que nas escolas há pessoas jovens, que devem ser ajudadas, tanto quanto possível, a serem felizes. E em que a felicidade dessas pessoas, como a de todas as outras, consiste em satisfazerem a ânsia profunda que têm de verdade, de bem e de beleza. Não em terem coisas e conforto”. (Paulo Geraldo)

Nós, professores e professoras de todos dias, mergulhamos no complexo desafio de humanizar crianças, adolescentes, jovens e adultos a partir da construção do conhecimento. Os tempos mudam, mas não mudou o papel da escola. A escola é o grande laboratório onde se geram a socialização e convivência interpessoal, bem como a construção do conhecimento, a partir das idéias e iniciativas inerentes à criatividade humana.

Abençoada seja a nossa missão de educar. Abençoados sejam nossos propósitos, mesmo nem sempre compreendidos pelos alunos, pais e comunidade. Abençoadas sejam nossas famílias que se geram neste contexto que exige ousadia, paciência, preparo e persistência, em resumo, em doação à vida dos outros. Abençoada seja a nossa saúde física e mental, pois não podemos adoecer e nem fraquejar. Abençoados sejam todos aqueles e aquelas que, por nossas mãos, mentes e coração aceitaram e aceitam o desafio de fazer-se gente, a partir dos seus potenciais e da superação de seus limites. Abençoados todos aqueles que acreditam no trabalho do professor.

Nada mais gratificante em nossa profissão do que o reconhecimento de alunos e alunas que, mesmo tardiamente, fazem questão de afirmar que a gente fez diferença em suas vidas. Não há como medir, no cotidiano da vida escolar, quando e como realizamos ações ou atitudes que marcaram positivamente a vida de um de nossos alunos. Afinal, a gente nunca foi e nunca será gênio para adivinhar; sempre seremos visionários para arriscar, mudar e ousar. Nisto, sempre fomos mestres.

O que entristece a nossa vida é que tanto cuidamos da vida, dos sonhos e dos problemas dos outros, mas nem sempre somos bem cuidados. Queríamos, sim, reconhecimento por nosso maior feito: preservar a importância da educação e da escola para o nosso país, para o mundo.

Muitos falam de educação, mas não são professores. Arriscam palpites sobre melhorias na educação, mas não perguntam sobre o que a gente tem a dizer. Não se importam com nossos baixos salários, muito menos com nossas dificuldades de lidar com as múltiplas dimensões e necessidades presentes nos nossos alunos. Nestes últimos quesitos, lutamos solitários. Embora não tenha mudado o papel da escola e da educação, mudaram as exigências para que possamos construir uma boa aprendizagem. Temos observado que nem todo aluno e nem todos os pais vêem a escola como uma forma de inserção na vida social e científica. Que as necessidades dos nossos alunos estão muito além para aquilo que a escola consegue oferecer. Que escolas e professores nem sempre estão em condições de dar conta de tudo o que está “depositado” neles.

O fato é que, a complexidade de nosso mundo é a complexidade da nossa escola; esta complexidade está nos distintos recantos de nosso país. O que muda de uma escola para o outra é o modo de conduzir os processos de aprendizagem e de interação social, mediados pelo conhecimento. A especificidade de cada escola e de cada contexto é que precisam ser sempre avaliados, reconhecidos e apoiados.

O professor, neste contexto, está fragilizado, exposto e pressionado por resultados e expectativas que não dependem somente de sua atuação. Mas professores e professoras resistem bravamente. Sabem que a dureza dos desafios cotidianos supera-se na disposição de lutar por melhores dias na educação, mas também na sua disposição de amar e sentir compaixão. Como escreveu Paulo Freire, “ não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”.

Nossos dias se chamam “muito trabalho”. Nosso alento, “esperança de dias melhores”.

*Nei Alberto Pies, professor, graduado em filosofia e com especialização em metodologia de ensino religioso, ativista da Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo (RS)

Rede estadual terá regime de dedicação integral

No ensino básico, professores não poderão acumular aulas em outras escolas; em contrapartida, receberão gratificação; modelo começa em 2012

Paulo Saldana, de O Estado de S.Paulo

O governo do Estado de São Paulo vai criar um regime de dedicação integral para professores e diretores da rede de educação básica. Os docentes não poderão acumular aulas em outras escolas e, em contrapartida, receberão gratificação. O novo modelo será iniciado a partir de 2012 em 19 escolas espalhadas pelo Estado - onde haverá ampliação de carga horária, de seis para oito horas diárias, além da criação de disciplinas eletivas.

As iniciativas fazem parte de um programa de ações voltadas à melhoria da educação, que será anunciado hoje pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e pelo secretário da Educação, Herman Voorwald. Serão anunciadas apenas ações referentes ao ensino médio. Em novembro, ocorrerá o anúncio de ações voltadas para o ensino fundamental - que passam por estudos e análises por equipes da secretaria. O foco será na recuperação do aprendizado.

No novo modelo de escola para alunos dos últimos anos da educação básica, além do aumento da carga horária, o plano é que haja integração entre as disciplinas do currículo. A mudança no regime do seus professores também é novidade. Não será uma carreira diferente, mas um regime diferenciado.

“Na mudança no regime de trabalho do professor, ele vai conhecer os alunos, identificar-se com eles e ser uma referência na escola. A ideia é incentivar uma carreira de 40 horas na mesma escola, porque muitos têm hoje jornadas de apenas 16 horas”, explica o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne. A fundação foi uma das 21 organizações da sociedade civil envolvidas em educação que participaram dos debates e grupos de trabalho que antecederam a finalização e anúncio do programa.

O coordenador da ONG Parceiros da Educação, Jair Ribeiro, outra entidade envolvida, ressalta que o programa é ambicioso, mas possível. “A visão do projeto é posicionar o sistema de ensino de São Paulo entre os 25 melhores do mundo e transformar a carreira do professor entre as dez mais desejadas do Estado.”

O programa também prevê ação diferenciada para 1.206 unidades de ensino consideradas vulneráveis. Nesses locais, haverá prioridade na formação continuada de professores e projetos focados na recuperação do aprendizado dos alunos.

De bem. A nova política de educação do governo teve início com o anúncio do aumento salarial gradativo de 42,2% aos professores - em pouco mais de 20 anos, um professor pode alcançar um salário equivalente a R$ 9,3 mil. As medidas, entretanto, envolvem questões importantes para Alckmin: apaziguar os conflitos com os sindicatos da categoria, que tiveram uma relação desgastada com a gestão anterior, de José Serra (PSDB).

O Ensino Médio e as expectativas de aprendizagem


Um fato possivelmente desconhecido da maioria dos brasileiros é o de que não existe no Brasil um currículo mínimo em nível nacional. Contamos apenas com “diretrizes curriculares” que, como não poderia deixar de ser, apresentam somente indicativos orientadores da definição dos conteúdos curriculares. Na maioria dos casos, essa definição cabe às escolas e, quando não, ao próprio professor.

São poucos ainda os estados que determinaram seus currículos únicos. A defesa dessa autonomia se baseia na ideia do respeito à diversidade cultural brasileira. Um exemplo das consequências dessa liberdade é o caso de uma estudante de ensino médio, filha de militar, que cursou cada série em um estado da Federação.

Na primeira série, em física, o foco foi magnetismo. Na segunda série, estudou magnetismo e, na terceira, magnetismo. A par de ter tido a oportunidade de desenvolver uma “personalidade magnética”, a aluna não ouviu sequer falar em nenhum outro campo da física.

Na verdade, a par do respeito às diferenças culturais, deveria ser respeitado o direito de todo jovem, independentemente de sua contingência geográfica, cultural, social ou econômica, desenvolver, ao final de seu ensino básico, as habilidades e competências consideradas essenciais para sua inserção no mercado de trabalho ou para a continuação dos estudos. Mas quais seriam essas competências? Essa é uma pergunta que vale um milhão.

Durante décadas, coube aos livros didáticos a definição dos currículos. Com a instituição das avaliações em larga escala, em nível nacional, as matrizes de competência, construídas para os exames de final do ensino médio (Saeb e Enem), tornaram-se as “diretrizes” para as definições curriculares. Ou seja, em vez de o currículo determinar a matriz de avaliação, ela vem definindo o currículo.

A nova proposta de Diretrizes Nacionais Curriculares para o Ensino Médio (DCNEM 2011) é enfática na necessidade urgente da definição de “expectativas mínimas de aprendizagem”, em nível nacional, para o final desse ciclo.

A mudança de nomenclatura, além de ter a possibilidade de escapar das infindáveis discussões sobre currículo mínimo, ainda carrega a vantagem de inverter o foco. Na questão do currículo, o foco é o ensino, enquanto nas expectativas, o foco é a aprendizagem. Isso corrobora um movimento que evoluiu do “direito à Educação” para o “direito de aprender”.

Estabelecido o foco na aprendizagem, voltamos à pergunta básica. Afinal, quais seriam as expectativas mínimas de aprendizagem necessárias ao final do ensino básico?

Mínimas para garantir tanto o caminho do trabalho quanto o da universidade, para todos os jovens brasileiros. A partir desse mínimo seria possível agregar outras competências, em função das características locais ou pessoais do estudante.

O desafio maior é justamente definir o mínimo. A tendência devastadora será partir dos atuais 14 componentes curriculares obrigatórios, e mais seis transversais, cujos especialistas consideram cada detalhe de sua área como absolutamente fundamental.

Se formos por esse caminho, chegaremos, sem dúvida, a um mínimo mega que aumentará o desânimo de nossa juventude, já tão perdida no emaranhado da proposta enciclopédica de nossas escolas.

Se conseguirmos chegar às expectativas essenciais de aprendizagem ao final do ensino médio, teremos dado um passo fantástico no sentido de reorganizar o currículo de todo o ensino básico. Com os parâmetros iniciais (todas as crianças alfabetizadas) e os finais (expectativas básicas ao término do ensino médio), ficaria mais fácil definir expectativas para os pontos críticos em que ocorrem mudanças na estrutura curricular o final da nona e da quinta séries.

O caminho poderia ser “de trás para a frente”. Já que, ao final de seus estudos básicos, um aluno necessitaria aprender no mínimo X, qual seria seu desempenho necessário ao final do fundamental e o que precisaria ter aprendido ao término do primeiro segmento?

A clareza sobre as expectativas, ao final de cada uma dessas etapas, possibilitaria um trabalho de correção de deficiências antes do início de nova fase, de forma a evitar o maléfico acúmulo de lacunas que leva quase sempre ao abandono.

Estabelecidas tais expectativas, teríamos também a possibilidade de restabelecer a lógica do processo, partindo delas para a revisão das matrizes de competência do Saeb e do Enem e, quem sabe, transformando o último num exame universal e obrigatório para o final do ensino básico.

por Wanda Engel* - Superintendente-executiva do Instituto Unibanco.

Publicado originalmente no jonral Correio Braziliense e retirado do site do GIFE – Grupo de Institutos Fundações e Empresas.