Formação Docente - O professor posto à prova

Principal instrumento de aferição na escola, avaliação escrita ainda é pouco entendida por docentes brasileiros; falta de debate sobre resultados compromete processo de ensino e aprendizagem

Paulo de Camargo

A prova de Geografia começa e logo o aluno de ensino fundamental se depara com a seguinte questão: "o que é depressão?". A resposta vem imediata e constrange o professor: "é aquela doença que minha mãe tem e precisa tomar remédio". Em outra escola, o docente chega com o maço de provas. Começa a chamar os alunos para receber as notas, com um detalhe: a chamada acontece em ordem decrescente de desempenho, o que instaura uma espécie de terror na sala de aula.

Ambas as situações são reais e estão descritas no estudo Prova: um instrumento avaliativo a serviço da regulação do ensino e da aprendizagem, realizado pela pesquisadora Dirce Aparecida Foletto de Moraes, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Os casos, que não são isolados, mostram como permanece profundo o abismo entre a teoria e as práticas da avaliação. Além disso, indicam que a prova escrita, principal recurso do qual o professor lança mão para se informar sobre o desempenho dos seus alunos, frequentemente é elaborada sem os pré-requisitos necessários para se configurar como um bom instrumento de avaliação.

O estudo foi publicado na última edição da revista científica Estudos em Avaliação Educacional, da Fundação Carlos Chagas, e joga luzes sobre um tema relativamente pouco estudado na academia e insuficientemente trabalhado nos programas de pedagogia e de formação continuada. Afinal, se é verdade que a avaliação é um componente essencial no processo de ensino e aprendizagem, e se o professor tem na prova seu instrumento mais rotineiro, torna-se urgente aprimorar o uso desse recurso, tanto na compreensão mais ampla do que ele representa, como na própria elaboração do instrumento.

Não que não haja interesse. O matemático Tadeu da Ponte, diretor do instituto de avaliação Primeira Escolha, responsável, entre outros, pelo vestibular do Ibmec, vem realizando palestras em todo o país sobre o tema da prova, sempre para auditórios lotados. "É preciso lembrar que esta não é mesmo uma questão simples, e o professor precisa ser preparado para saber avaliar", diz.

Perspectiva histórica

O primeiro passo é, exatamente, compreender o princípio do que se está fazendo. Afinal, o que é uma prova? Ela é mesmo um bom instrumento? Por que se tornou um sinônimo de avaliação? Segundo o autor Cipriano Luckesi, uma das referências no tema no Brasil, a prova surgiu ainda no século 16, na Europa, como um recurso de coleta de dados sobre o desempenho do educando. "Esse recurso recebeu o nome de ''''prova'''' e permaneceu com essa denominação até hoje. É o mais comum e cotidiano instrumento usado em sala de aula", diz Luckesi. Boa parte de seu sucesso se explica pela eficácia de reunir informações sobre um conjunto grande de alunos. Na Idade Média, não havia necessidade de testes escritos, devido a pouco número de aprendizes. "O mestre convivia diretamente com todos, podia observá-los, conversar, observar diretamente seu desempenho", lembra. Mas veio o tempo em que se tornou necessário o ensino para muitos e a demanda por um recurso eficiente para que o professor pudesse conhecer o desempenho de todos - e assim nasceu a prova.

Para a pesquisadora Dirce de Moraes, há outros fatores que fizeram com que o teste se tornasse um instrumento predominante ao longo dos séculos. Ele documenta e comprova o conhecimento, possibilitando a representação final por um valor numérico, que retrataria a aprendizagem daquele que foi avaliado. Para Dirce, hoje muitos professores simplesmente não conseguem acompanhar a aprendizagem do aluno sem lançar mão da prova. "Os educadores até buscam novos caminhos, mas, por desconhecerem as diferentes ferramentas ou por sentirem-se inseguros, garantem-se na prova como instrumento comprobatório", diz.

Críticas

A prova também se tornou um meio de comunicação entre famílias, crianças e escola. Basta ver que é muito mais frequente um pai perguntar a um filho ''''como foi na prova'''', do que ''''o que você aprendeu''''. Provavelmente, o abandono dos testes escritos causaria um terremoto na confiança que as famílias depositam na escola. Por fim, diz a pesquisadora, até mesmo entre os alunos a prova se tornou um instrumento de status, induzindo uma hierarquia em sala de aula. "A nota da prova leva a distinções entre melhores e piores, entre aqueles que têm potencial e os que seguem para o fracasso", diz. Nesse sentido, práticas docentes como dar a nota em voz alta estimulam essa visão.

Mas essa é apenas uma das críticas direcionadas à avaliação. Uma delas diz respeito aos usos inadequados dos instrumentos, especialmente por seu caráter de controle da classe e de poder do professor sobre o aluno. Outro questionamento é a confusão entre avaliar e fazer prova. "A prova em si não avalia nada, só oferece subsídios para o professor analisar as aprendizagens dos alunos", diz Dirce. "Avaliar é tudo o que acontece antes da nota", reforça Luckesi. Mas, tudo isso não significa que a prova seja um mal em si, alertam os pesquisadores. A questão é que ela precisa ser adequadamente aplicada. A começar do mais óbvio: uma prova escrita é útil quando se restringir às competências lógico-verbais. Ou seja, pode-se fazer uma prova escrita sobre história da arte, mas não sobre as habilidades de um artista. Por isso mesmo, há diversas outras situações na vida escolar que requerem outros instrumentos de avaliação - como produções, portfólios, apresentações e outras formas de levantar informações sobre a aprendizagem.

Encaminhamentos

Para Tadeu da Ponte, a elaboração de um bom instrumento de avaliação começa pela intencionalidade. E essa é a primeira dificuldade, pois requer que o professor inverta a lógica com a qual trabalha cotidianamente. "O docente olha para o cronograma, vê o calendário, o tempo de prova e de correção, pensa no que foi trabalhado ao longo de certo período", diz Tadeu. "Mas, para uma boa prova, precisamos pensar de trás para a frente e perguntar o que queremos que o aluno tenha de fato aprendido", sugere.

A partir desse princípio, o educador deve ter presente que a prova é um indicador, uma informação, como um sinal de trânsito, que precisa, portanto, ser interpretada, e não meramente corrigida. "A questão da prova precisa indicar algo; o erro tem de indicar algo", enfatiza o especialista. Portanto, para ele, a primeira providência antes mesmo de escrever as questões é colocar no papel a descrição da prova, quais conteúdos, quais competências se quer avaliar - tecnicamente, trata-se de estabelecer os descritores. Isso vai determinar, em grande medida, a formulação das questões e a estrutura do exame.

O desenvolvimento das questões é um dos pontos que mais atrapalham os professores, não apenas pela falta de clareza de que conteúdos mais relevantes devem ser avaliados, mas pela própria linguagem. "Com frequência, a linguagem utilizada não é clara e precisa, deixando o aluno em dúvida sobre o que o professor realmente quer como resposta", diz Vasco Moretto, autor do livro Prova: um momento privilegiado de estudo, em que analisou mais de 8 mil provas recolhidas em todo o Brasil.

Clareza

Um dos males mais comuns dos testes escritos aplicados nas escolas brasileiras é, segundo Moretto, a falta de parâmetros claros para a correção. Ao utilizar perguntas genéricas como "Comente, dê sua opinião", o professor automaticamente está dando carta branca para todo tipo de resposta. "O comando deve estar muito claro", confirma Tadeu da Ponte. A clareza da questão, a adequação do vocabulário à faixa etária e a objetividade também são atributos de uma boa prova. "Muitas vezes, o professor faz uma questão com quatro ou cinco temas embutidos, porque acha que poderia ser bom perguntar também isso e aquilo. Isso, no entanto, só dificulta a análise posterior", analisa Tadeu.

Terminada a questão, mande-se imprimir? Nada disso. Um protocolo comum nas instituições que elaboram exames deve ser seguido. O primeiro é reler a questão que se escreveu. Parece básico, mas a falta desse procedimento explica a grande quantidade de erros de gabarito ainda encontrados. Aliás, erros de gramática identificados pelos alunos podem até desacreditar o instrumento e desmoralizar o professor diante da turma.

Outro engano comum é o uso de gráficos e ilustrações coloridas. Muitas vezes, os professores fazem provas com belas imagens, mas esquecem que ainda ela será reproduzida - talvez por uma máquina que imprima em branco e preto, com péssima definição e ainda em formato reduzido. Isso faz com que a compreensão das questões pelo aluno seja muito prejudicada. Por fim, para Tadeu, a cada releitura, o professor deve procurar ver se era possível perguntar a mesma coisa com menos palavras. A objetividade é um parâmetro de qualidade e permite melhores resultados no teste. "Muitas vezes dizemos que nossos alunos são prolixos e pouco objetivos, mas as próprias questões induzem a isso", avalia o matemático.

Conteúdos versus habilidades

A partir de 1997, professores passaram a lidar com a preocupação de contextualizar as questões, especialmente nos grandes vestibulares, incluindo o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Isso tem a ver diretamente com a concepção de aprendizagem significativa, originada especialmente das ideias do psicólogo norte-americano David Ausubel. O conceito remete à necessidade de estabelecer relações entre as aprendizagens prévias e a busca de conexões com a realidade do aluno. Para Vasco Moretto, uma característica típica da boa prova é, justamente, sua capacidade de estimular a aprendizagem significativa, o que requer a contextualização do que está sendo perguntado, por exemplo, por meio de um texto anterior.

Não se trata de um desafio simples, até porque nas escolas há uma clara dissociação entre os "saberes escolares" e a vida real. Mas, ainda que seja difícil desenvolver um teste que traga tais qualidades, é possível tornar a prova interessante, no entender de Tadeu da Ponte. "A contextualização não implica sempre que a questão deve ter a ver com a vida do aluno, mas que ele será provocado a pensar para resolver o problema, talvez de uma forma a que não está habituado", diz. Esse princípio automaticamente inibe a prática da memorização de respostas e procedimentos, o que deve ser, em última instância, preservado, em sua perspectiva.

Ao mesmo tempo, a memorização, que é considerada um método ultrapassado de aprendizagem por muitos educadores, não pode ser esquecida. Em janeiro deste ano, a revista acadêmica norte-americana Science publicou um estudo que apontou que a "decoreba" pode impactar positivamente no desempenho dos estudantes. Realizada pelo psicólogo Jeffrey Karpicke, ligado à Universidade de Purdue, no Estado de Indiana, a pesquisa envolveu 200 jovens universitários. Os alunos estudaram textos científicos de duas formas. A primeira os estimulou a fazer elaborações sobre o conteúdo que aprenderam, com o texto em mãos. A outra simplesmente os afastou do texto, na tentativa de recuperar o máximo de informação por meio da memória.

Os jovens que exercitaram a memória em vez de estudar com o texto à sua frente apresentaram resultado 50% superior em provas aplicadas. Segundo o estudo, a memorização ajudou os alunos a responder questões que exigiam deduções mais complexas e cruzamento de informações. A hipótese de Karpicke para explicar os resultados aponta que o processo de relembrar não envolveria apenas o resgate de informações já arquivadas no cérebro, mas também de reconstrução do que foi armazenado, o que obrigaria o órgão a reorganizar o assunto e priorizar determinados tópicos. "Não podemos nos levar por preconceitos. Há, de fato, conhecimentos que precisam ser memorizados. Por outro lado, devemos procurar oferecer situações-problema que levem o aluno a se apropriar desses conteúdos, tornando-se capaz de pensar de forma diferente, conforme os contextos que se apresentam", opina Tadeu da Ponte.

Formação

O desenvolvimento de bons instrumentos de avaliação vem sendo tratado nas universidades quase sempre do prisma teórico. Contudo, os professores se sentem desamparados e desorientados na escola, como demonstrou a pesquisa empreendida por Dirce Moraes. Visitando escolas e conversando com professores, Dirce percebeu que não havia qualquer orientação em relação à elaboração das provas, à correção e às tomadas de decisão após os resultados. "Cada professor fazia da forma como achava certo", conta. Entre alguns bons exemplos, Dirce encontrou questões simplesmente retiradas de livros, enfatizando somente a memorização, sem preocupação de contextualizar as perguntas.

Na verdade, como demonstra a pesquisadora Bernadete Gatti, da Fundação Carlos Chagas (FCC), em seu livro Professores do Brasil - Impasses e Desafios, no qual analisou currículos de cursos de pedagogia de todo o país, muitas vezes o docente reproduz práticas que encontrou na graduação. Nas faculdades, o método mais comum de avaliação é a prova escrita, como a que posteriormente ele proporá aos seus alunos. O problema é que as consequências desse despreparo remetem diretamente a questões graves da educação brasileira, como o fracasso escolar. "Um trabalho sistemático com a orientação dos professores, a formação continuada e conscientização sobre a responsabilidade de cada um no processo colaboram significativamente com o sucesso do aluno, distanciando-o do fracasso escolar", diz.

Distorções

Um estudo importante nesse sentido foi desenvolvido por Ricardo Madeira, da Faculdade de Economia e Administração (FEA), na USP, há três anos. Comparando as notas do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) e as atribuídas pelos professores em sala, Madeira encontrou distorções reveladoras. Percebeu, por exemplo, que enquanto no Saresp as notas distribuem-se na forma de um sino, ou seja, mais ou menos igualmente, nas classes tendem a se aglutinar. "O professor tende a dar nomes iguais para alunos diferentes", diz.

A pesquisa mostrou que os testes que constantemente ranqueiam os alunos para baixo podem desmotivar e causar o abandono. "A prova traz uma influência importante sobre a decisão dos alunos", diz. Para ele, o descolamento entre as notas do professor e do Saresp pode indicar simplesmente que os docentes reconhecem que a prova não é um instrumento perfeito, o que reforça a necessidade de se utilizar variados instrumentos de avaliação. Mas há ainda outros aspectos importantes que ligam a cultura do exame escrito aos problemas de aprendizagem. Um dos principais é justamente sobre o que se costuma fazer com os resultados dos testes. Quase sempre, nada.

O pesquisador Luckesi chama a atenção para o fato de que a simples atribuição de valores numéricos não significa que houve um processo de avaliação formativa, ou seja, que produza reflexos sobre a aprendizagem. A prova deveria ser o primeiro passo, e não o final, de um processo como esse. Há muito a ser feito, como identificar e trabalhar com as turmas sobre pontos que se mostraram difíceis, ou como lançar um olhar mais individual para o desenvolvimento de cada aluno. "O feedback possibilita que ele se situe em relação às aprendizagens, tenha condições de entender e não apenas constatar seus erros e acertos. É preciso refletir, propor situações em que o aluno possa compreender o que fez e o que deixou de fazer em relação ao que foi proposto", enfatiza Dirce.

O argumento dos professores - e não desprovido de razão - é o problema do número de estudantes em sala, que inviabiliza um tratamento individualizado. "É possível que não consiga atender a todos, mas se propuser diferentes situações em que os alunos possam trabalhar na superação das dificuldades constatadas, isso vai contribuindo para o avanço. O que não pode acontecer é a prova apenas atestar a competência ou a incompetência do indivíduo com uma nota", alerta a pesquisadora. Tratar a prova como uma reta de chegada é como olhar o termômetro e se satisfazer com o que ele indica, sem procurar as causas da febre. Para Luckesi, a preocupação única com aprovação ou reprovação acaba por afastar o gestor e o professor daquilo que ele efetivamente procura ao propor um teste - ou seja, encontrar dados para as decisões que terá de tomar, decisões que podem influenciar o futuro de milhares de vidas.



Uma boa prova

Veja algumas dicas de como elaborar a avaliação escrita em sala de aula, segundo diferentes autores



1 Ter clareza do objetivo de cada pergunta. É preciso haver intencionalidade.

2 Buscar que sejam adequadas ao nível dos alunos, com questões bem distribuídas, entre fáceis, médias e difíceis.

3 Elaborar as questões com perguntas que sejam relevantes e evitar pegadinhas. Tem de ter um tema predominante. Evitar os extremos: nem tão geral, nem tão específico, pedindo "a nota de rodapé".

4 Se possível, buscar contextualizar os problemas ou, pelo menos, procurar apresentá-los de forma a provocar o raciocínio e evitar somente respostas memorizadas.

5 Ser rigoroso com a linguagem, evitando perguntas genéricas. O comando, ou seja, o que se quer de cada resposta deve estar muito claro. Evitar o uso de questões com o uso de negativa, que posteriormente prejudicam a análise da prova.

6 Ser coerente com as aulas e as estratégias previamente utilizadas nas aulas.

7 Evitar provas exaustivas, que demandam muito tempo de realização. Isso não contribui para a qualidade do instrumento.

8 Planejar a prova com antecedência, com tempo para reler as questões, refazê-las e depurá-las.

9 A escolha do formato deve estar a serviço do objetivo. Questões de múltipla escolha podem ser tão boas com quatro opções do que de cinco, por exemplo. Para o Ensino Fundamental I, é melhor utilizar três alternativas; para o Ensino Fundamental II, quatro.

10 Atenção aos detalhes: cuidado com a correção gramatical, e com o uso de gráficos com cores e tamanhos que depois podem ser prejudicados na reprodução.

Fonte - Reviata Educação

Não gosto do Dia do Professor

Não gosto do Dia do Professor, a ser comemorado no próximo sábado, por um único motivo: é um dia pouco comemorado. Deveria merecer mais, muito mais atenção, do país. Quase passa despercebido.

Não há nenhuma profissão tão importante para uma sociedade que se proponha a ser civilizada. É mais importante do que a medicina, que salva vidas, afinal quem forma o médico é o professor.

Nada deveria ser tão importante para uma nação do que saber atrair seus melhores talentos para ajudar a disseminar e produzir conhecimento. O que exige uma série de ações coordenadas e complexas. Isso significa que, no final, a pessoa tem de ter orgulho de ter essa carreira.

Não é o que ocorre. Estamos longe, muito longe, de recrutar os melhores talentos. Os salários não são atrativos. As condições de trabalho são péssimas, para não dizer vergonhosas.

Justamente por ter essa visão é que, aqui nesse espaço, faço questão de provocar polêmicas, não apenas criticando os governos, mas também, muitas vezes, quem se dispõe a defender os professores, esquecendo-se do mérito.

Há uma série de demandas corporativas que apenas se encaixam nesse ambiente de degradação. Basta lembrar quantas vezes dirigentes sindicais, sem a menor preocupação com o mérito, atacaram e atacam esforços para reduzir o absenteísmo, demitir professores sem condições de trabalhar ou exigir maior desempenho. Sem contar o explícito uso da máquina sindical para fazer política. Isso, para mim, apenas degrada a imagem do professor. Assim como os governos também usam a educação para fazer política eleitoral.

Some-se a isso que, apesar de todos os avanços, as famílias e a opinião pública pouco acompanham a educação pública. Um sinal de ignorância vemos nas pesquisas que indicam a satisfação dos pais com o ensino público.

Uma medida da nossa civilidade poderá ser medida pela atenção e reverência que se tenha no Dia do Professor.

Fonte – Folha.com

Brasil quer educação de país desenvolvido em 2022

Fortaleza - O Brasil quer chegar a 2022 com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) igual ao de países desenvolvidos, com o analfabetismo erradicado e com oportunidade para todos. Foi o que disse a assessora especial do Ministério da Educação, Linda Goulart. Ela coordena o 1ª Seminário Internacional de Mobilização Social pela Educação, que acontece até amanhã, em Fortaleza, reunindo 500 participantes de todo o País. Entre os palestrantes, estão renomados estudiosos como os colombianos Bernardo Toro e Bernardo Nieto, especialistas em mobilização e reformas educacionais, e Heather Weiss, diretora do Havard Family Research.

De acordo com Linda Goulart, o diálogo pela educação deve ser estendido à sociedade. "É por esse motivo que o MEC está se dedicando a repassar para os agentes que atuam no setor técnicas e experiências de mobilização no sentido de promover a interação entre família, escola e comunidade", explicou.

Segundo ela, o seminário tem como objetivo proporcionar espaço para discussões sobre a importância da participação das famílias na vida escolar dos filhos, bem como de que maneira a colaboração de segmentos organizados da sociedade e os órgãos públicos de áreas correlatas à educação, além das lideranças sociais e religiosas, podem contribuir no processo de melhoria da qualidade da educação.

Hoje, os palestrantes Bernardo Nieto e Márcio Simeone Henriques falaram sobre o tema Comunicação e Mobilização. Nieto definiu e apontou as implicações dos processos de trocas sociais que buscam a mobilização. "A comunicação é fundamental para estabelecermos essas mudanças, porém não pode fazer milagre", comentou. Segundo ele, o "motor fundamental é o impulso criador dos dirigentes". Ele lançou a seguinte pergunta para a plateia, formada por gestores em sua maioria: "Somos impulsionadores ou obstáculos para essas mudanças?".

Já Henriques, professor do Departamento de Comunicação Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Federal de Minas Gerais, perguntou: "Que estratégia de comunicação é necessária para envolver o público em temas relativos à Educação?". Segundo ele, a resposta é dada pelo educador brasileiro Paulo Freire: a da coparticipação.

Agência Estado

Comemorações patrióticas em escolas

A história do Brasil pode ser comparada à vida de uma pessoa. A cidadania é um valor que se aprende praticando em casa e na escola. As datas comemorativas são excelentes para unir os mundos interno (pessoal) com o externo (família, escola, sociedade), através de festas coletivas em torno de um mesmo feito.

Um dia o Brasil nasceu para o mundo, apesar de já existir geograficamente e ser habitado pelos índios. O descobrimento do Brasil em 22 de Abril de 1.500 por navegadores portugueses comandados por Pedro Álvares Cabral é conhecido como o início da existência do Brasil para os europeus que sequer desconfiavam da sua existência. Para eles o Brasil nasceu naquele dia.

As pessoas comemoram anualmente suas datas de nascimento, apesar delas já existirem dentro do útero materno há nove meses. Quem comemora? Geralmente a família nuclear, os amigos, alguns colegas. São pessoas do seu relacionamento.

Como não há alunos que não saibam os seus respectivos dias de nascimento, os professores em classe poderiam, cada um em sua matéria, promover um trabalho cidadão com os alunos:

Com prazo suficiente para os alunos pesquisarem, os professores poderiam passar um trabalho para os alunos em cada data importante para o Brasil. Por exemplo: Na data comemorativa do Descobrimento do Brasil, os professores poderiam idealizar um trabalho sobre a importância desta data para o Brasil e para o resto do mundo. O trabalho individual deve ser evitado ao máximo. O preferível é o de minigrupos, isto é, no máximo três alunos juntos. Mais que três alunos juntos pode favorecer os folgados que assinam o trabalho que os sufocados fazem. A apresentação do trabalho deve ser feita durante a aula pelo representante eleito dentro do próprio grupo e a parte da história que se refere à sua própria vida deve ser lida pelo próprio aluno - e não pelo representante. Em cada apresentação, o grupo todo vai para frente junto com o apresentador. A nota deve ser igual entre todos os integrantes de um mesmo grupo.

O tema sugerido do trabalho é: O que acontecia na minha família e no Brasil quando eu nasci: Uma homenagem ao Dia do Descobrimento do Brasil. Mas pode ser qualquer outro, conforme as inspirações dos professores.

Os focos fundamentais para este trabalho são:

• despertar a curiosidade do aluno para fazer pesquisa oral com a própria família nas gerações dos avós; dos pais, padrinhos e tios; e da própria com irmãos e primos, propiciando a constatação da importância dos pais e de outros familiares na sua vida;

• fazê-lo participar de minigrupos e acostumar a expor as próprias idéias, formação equipes de trabalhos e de líderes para empreenderem-se em tarefas que levem às pesquisas;

• os alunos perceberam a importância das comemorações de datas importantes do Brasil, para aumentar o sentimento de patriotismo e nação, pois é difícil amar o que se desconhece;

• combater o egoísmo desta geração de crianças através do afeto e do conhecimento da existência dos outros para diminuir a violência, o bullying, as diferenças etc.

• ampliar o olhar para cuidar do mundo globalizado e não pirateá-lo com o hedonismo egoísta.

Por Içami Tiba

Fonte – Uol Educação

Verba para educação deve ser de até 10% do PIB em 2012, diz Haddad

Verba para educação deve ser de até 10% do PIB em 2012, diz Haddad


Em palestra na FGV (Fundação Getúlio Vargas) no Rio, nesta segunda-feira, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que espera uma resposta do Congresso para definir o orçamento para educação em 2012, que deve ficar entre 7% e 10% do PIB nacional. Ele também pregou o fim do vestibular e a reformulação do Ensino Médio.

A proposta de aumentar o orçamento faz parte do Plano Nacional de Educação, que aguarda aprovação do Congresso e prevê os investimentos na área para os próximos dez anos. Atualmente a educação corresponde a 5% do PIB brasileiro.

"Não vai ser menos de 7% do PIB nem mais do que 10%", disse Haddad, ao lembrar que o Brasil foi um dos últimos países da América Latina a despertar para a necessidade de investir em educação e que é preciso "correr atrás dessa diferença histórica".

O ministro também ressaltou a necessidade de reformular o Ensino Médio, enxugando o conteúdo ensinado atualmente e criando escolas em tempo integral. "Hoje o aluno vê o Ensino Médio como um pedágio para o vestibular. Temos que mudar isso para uma forma mais coerente, que responda aos anseios da sociedade."

Haddad também minimizou os problemas com o Enem, que classificou como um dos sistemas mais modernos do mundo de acesso a universidade. "É um problema fazer uma prova para 5 milhões de pessoas em um fim de semana", explicou. Segundo ele, o Brasil está em um processo de substituição do vestibular e é preciso acabar com a prova, insuficiente para avaliar os alunos integralmente.

Apesar de ter passado a palestra elogiando as ações do seu governo, Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo, evitou falar sobre a campanha. "Política só no final de semana. De segunda a sexta, só educação", disse.

PAULA BIANCHI COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO

09 de Julho - REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932

Julho de 1932. Explode em São Paulo uma revolta contra o presidente Getúlio Vargas. Tropas federais são enviadas para conter a rebelião. As forças paulistas lutam contra o exército durante três meses.

O episódio fica conhecido como a Revolução Constitucionalista de 1932.

1930, uma revolução derrubava o governo dos grandes latifundiários de Minas Gerais e São Paulo. Getúlio Vargas assumia a presidência do Brasil em caráter provisório, mas com amplos poderes. Todas as instituições legislativas foram abolidas, desde o Congresso Nacional até as Câmaras Municipais. Os governadores dos Estados foram depostos. Para suas funções , Vargas nomeou interventores.

A política centralizadora de Vargas desagrada as oligarquias estaduais, especialmente as de São Paulo. As elites políticas, do Estado economicamente mais importante, sentem-se prejudicadas. E os liberais reivindicam a realização de eleições e o fim do governo provisório.

O governo Vargas reconhece oficialmente os sindicatos dos operários, legaliza o Partido Comunista e apóia um aumento no salário dos trabalhadores. Estas medidas irritam ainda mais as elites paulistas.

Em 1932, uma greve mobiliza 200 mil trabalhadores no Estado. Preocupados, empresários e latifundiários de São Paulo se unem contra Vargas.


Acervo Arquivo do Est. S. Paulo

No dia 23 de maio é realizado um comício reivindicando uma nova constituição para o Brasil. O comício termina em conflitos armados. Quatro estudantes morrem: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo. As iniciais de seus nomes formam a sigla MMDC, que se transforma no grande símbolo da revolução. E em julho, explode a revolta. As tropas rebeldes se espalham pela cidade de São Paulo e ocupam as ruas.

A imprensa paulista defende a causa dos revoltosos. No rádio, o entusiasmo de Cesar Ladeira faz dele o locutor oficial da Revolução Constitucionalista. Uma intensa campanha de mobilização é acionada.

A população adere à rebelião. Um grande número de pessoas se alista para a luta.


População civil de S.P. apóia a revolução

Quando se inicia o levante, uma muldidão sai às ruas em seu apoio. Tropas paulistas são enviadas para os fronts em todo o Estado. Mas as tropas federais são mais numerosas e bem equipadas. Aviões são usados para bombardear cidades do interior paulista. 35 mil homens de São Paulo enfrentam um contingente de 100 mil soldados. Os revoltosos esperavam a adesão de outros Estados, o que não aconteceu.
Em outubro de 32, após três meses de luta, os paulistas se rendem. Prisões, cassações e deportações se seguem à capitação. Estatísticas oficiais apontam 830 mortos. Estima-se que centenas a mais de pessoas morreram sem constar dos registros oficiais.

A Revolução Constitucionalista de 1932, foi o maior confronto militar no Brasil no século XX. Apesar da derrota paulista em sua luta por uma constituição, dois anos depois da revolução, em 1934, uma assembléia eleita pelo povo promulga a nova Carta Magna.

Bibliografia

SILVA, Zélia Lopes da. Os Sindicatos e a gestão do Estado no mercado de trabalho em São Paulo (1929-1932). Revista Brasileira de História. São Paulo: v.7. n.14, mar/ago, 1987.

ABRIL S/A CULTURAL E INDúSTRIA. Nosso Século (1930-1945). São Paulo: Abril Cultural, 1980. v.3. 

Pisa: 22% dos alunos com condições socioeconômicas desfavoráveis têm notas altas

Mais tempo em sala de aula e autoconfiança são dois fatores que ajudam os estudantes

Simone Harnik

Da Redação do Todos Pela Educação

 
Ao todo 22,1% das crianças e jovens de famílias brasileiras com condições socioeconômicas desfavoráveis conseguem ultrapassar barreiras e ter bom desempenho na escola. A conclusão é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada na publicação "Pisa em Foco - 5", com base nos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

Dois fatores que ajudam a vencer dificuldades, de acordo com a OCDE, são o maior tempo aprendendo em sala de aula e a autoconfiança dos estudantes. "Essas descobertas sugerem que as escolas podem ter um importante papel em estimular a perseverança dos estudantes", afirma o relatório. "As instituições de ensino poderiam oferecer mais oportunidades para que os estudantes de famílias mais pobres aprendam em sala de aula, a partir do desenvolvimento de atividades, práticas e métodos de ensinar que encorajem o aprendizado e promovam a motivação e a autoconfiança entre os estudantes de contextos menos favorecidos."

Outra medida que as escolas poderiam adotar, segundo a publicação, é verificar continuamente o aprendizado dos alunos de contextos mais desfavoráveis. "Focar esse monitoramento nos estudantes em desvantagem socioeconômica é crucial, pois eles são os alunos com menos chance de receber apoio em outros lugares, que não a escola".
Entre os países que fazem parte da OCDE, a média de alunos que ultrapassam os obstáculos é de 31%. Ou seja, em países como Portugal, Espanha, Itália, mais estudantes de famílias pobres conseguem ter alto desempenho acadêmico do que no Brasil.

Sobre a pesquisa

O estudo levou em conta os estudantes que estão entre os 25% com os mais baixos índices socioeconômicos e culturais do Pisa. Nesse grupo, foram selecionados aqueles que obtiveram notas entre as 25% melhores, levando em conta o contexto socioeconômico.

O Pisa, segundo a OCDE, tem como objetivo ajudar os países a verificarem como seus sistemas educacionais estão na comparação global dos quesitos qualidade, equidade e eficiência. Os melhores sistemas educacionais podem servir de inspiração para ajudar os estudantes a aprenderem melhor, os professores, a ensinarem melhor e os sistemas a se tornarem mais efetivos.

A avaliação mede o conhecimento nas áreas de leitura, matemática e ciências, sempre com foco na reflexão e na aplicação em questões da vida prática. Em cada uma das edições, uma das áreas é estudada de maneira mais aprofundada. Na edição de 2006, foi a vez de ciências; na de 2009, de leitura

Conselhos Tutelares - Risco diminuído

Os Conselhos Tutelares podem ser grandes aliados da escola para combater situações de vulnerabilidade, como identificar focos de evasão e orientar como agir diante de casos de violência

Na cidade de Bauru, região central do Estado de São Paulo, a queda no rendimento escolar e o aumento nas taxas de evasão dos adolescentes que migravam para o perío­do noturno levaram a diretoria de ensino local a tomar uma decisão. Após reuniões entre o órgão e o Conselho Tutelar da cidade, ficou estabelecido que os jovens entre 14 e 16 anos só poderão se matricular à noite se comprovarem que têm um trabalho fixo. A possibilidade de arrumar um emprego, a frequência a grupos como a Guarda Mirim ou a matrícula em cursos profissionalizantes não são mais "desculpas" para as escolas aceitarem esses alunos à noite.

"A evasão tem sido um grande problema", diz Richelma Félix, vice-presidente do Conselho Tutelar 1 de Bauru - a cidade tem dois conselhos autônomos que atuam em áreas geográficas diferentes. "Queremos evitar que jovens de 14, 15 anos que eram bons alunos no período diurno passem a ter problemas no noturno. À noite há mais oferta de drogas, o pessoal cabula aula para ficar no shopping, está exposto a algumas situações que esse jovem ainda não tem maturidade para enfrentar", completa. Para isso, o Conselho também recorreu a conversas com responsáveis, por exemplo, por empresas de estágio ou que oferecem cursos, para permitir que os jovens continuem no período diurno.

O alinhamento entre ações tem a função de contribuir para que o trabalho do Conselho Tutelar seja de prevenção e orientação. "Queremos ter um papel profilático, prevenir incêndios e não apagá-los", compara Richelma. Instituídos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de 1990, os Conselhos Tutelares não têm a atribuição de reprimir ou de punir, mas sim de atender crianças e adolescentes em situação de risco e encaminhar casos e requisições à autoridade judiciária, ao Ministério Público e a órgãos provedores de serviços públicos, como secretarias de Saúde e Educação. A lei prevê que cada município tenha pelo menos um Conselho, com cinco membros eleitos e remunerados para esse trabalho. Em Bauru, por exemplo, esse valor é de R$ 1.354,03 para uma jornada de 40 horas.

Apesar das definições claras de papéis na legislação, na prática nem sempre é nítido até que ponto a escola pode resolver problemas internamente ou quando deve acionar o Conselho. Para o educador Luciano Batiate, autor de livros sobre o tema e ex-conselheiro por dois mandatos no município de Ibiporã (PR), identificar esses limites é um dos "nós" da atuação do órgão. "O Conselho Tutelar não é o remédio para todos os males. A indisciplina, por exemplo, é própria da escola e deve ser tratada com medidas pedagógicas. Atender alunos indisciplinados não é papel do Conselho", afirma.

A questão é saber identificar o momento em que a indisciplina transcende o limite de transgressão passível de correção pedagógica e passa a ser crime. Para Batiate, algumas situações são mais claras: quando há agressão ou ameaça aos colegas ou professores, dano ao patrimônio, furto ou tráfico de drogas. Quando esses crimes são cometidos por crianças de até 12 anos, a escola deve acionar o Conselho Tutelar. A partir de 12 anos completos, a diretoria deve chamar a polícia. "Há um engano de que não existe lei para adolescentes, de que o ato infracional não tem consequências (para o jovem). Tem, sim, é só a escola saber aplicar o remédio certo", diz o educador.

Na opinião do promotor da Infância e Juventude Thales Cezar de Oliveira, de São Paulo, a escola deve se ater à atuação dentro dos limites pedagógicos. "É impossível haver uma situação de conflito entre a escola e o Conselho Tutelar, a não ser que estejam ultrapassando suas funções", ressalta. Enquanto o papel do Conselho é atender crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade sociopsicológica ou em situação de risco, cabe à escola promover a integração pela educação - e isso envolve levar os problemas às autoridades competentes. "Não se educa ignorando a prática de um fato criminoso", diz Oliveira.

Comportamento e sintoma

O trabalho conjunto entre escola e Conselho Tutelar também deve estar voltado para a observação de comportamentos que podem se manifestar como sintoma de uma situação mais grave que a criança ou adolescente esteja vivendo fora da escola. "Se o professor observa sinais de exploração, de violência doméstica ou de abuso sexual, o Conselho Tutelar deve ser acionado, mesmo se for apenas uma suspeita", diz Luciano Batiate. Com capacitação para os professores e encontros constantes para troca de informações, a escola se torna uma grande aliada para o trabalho dos órgãos de proteção à infância e juventude. "Com orientação, os professores conseguem identificar até mesmo se os casos de indisciplina são um pedido de socorro", afirma.

Em Ibotirama, cidade de 25 mil habitantes localizada no interior baiano, a parceria entre Conselho Tutelar, Secretaria Municipal de Educação e outros órgãos, como a Promotoria, a Polícia Militar e a Igreja, está sendo fundamental para combater um dos maiores problemas que atingem as crianças da região: a violência doméstica e a exploração. De acordo com o coordenador do Conselho Tutelar da cidade, Valdevino Leite Torres, a entidade procura fazer palestras nas escolas, faz reuniões com professores e oferece atendimento psicológico para as famílias envolvidas com problemas mais graves. "Com esse trabalho de prevenção e orientação, estamos conseguindo alcançar alguns objetivos, como diminuir a evasão. As escolas também têm denunciado quando a criança aparece com hematomas; já sabem como proceder", aponta.

A secretária de Educação de Ibotirama, Rosane Yamaguchi, conta que as parcerias já culminaram em um projeto específico para combate da evasão, em que fichas de controle apontam para os órgãos responsáveis aqueles alunos que estão deixando a escola abaixo da idade. Além de conter a debandada de jovens da sala de aula, outra característica da região é alvo de constante preocupação na cidade: pelo fato de Ibotirama estar localizada às margens de uma rodovia federal, os jovens estão mais vulneráveis a situações de aliciamento, exploração sexual e consumo e tráfico de drogas. Sem uma rede de trabalho que tenha início na relação entre professor e aluno, os direitos das crianças e adolescentes podem ser prejudicados. "Estamos tentando cumprir as garantias, mas temos de discutir caminhos e trabalhar a parceria (com a escola) sem querer fugir das responsabilidades", diz a secretária.

De fato, tanto para os educadores quanto para os conselheiros, estar ciente das responsabilidades e mesmo dos riscos do trabalho é condição fundamental para desenvolver uma ação integrada. Ação essa que, muitas vezes, pode esbarrar na falta de estrutura e de comprometimento. Para o promotor Thales Oliveira, pelo menos na capital paulista essa relação ainda é ineficiente: "todos sabemos que a sociedade brasileira não tem a infraestrutura necessária, mas quem não quer trabalhar nessas condições não deve nem se candidatar ao Conselho Tutelar". Por isso, ele defende um trabalho de prevenção dentro da escola antes que os casos cheguem à Justiça. "Quando a escola comunica um ato infracional, nós só atuamos se os educadores mostrarem que já agiram pedagogicamente", declara. Uma questão de remédio certo, na medida certa. (Gabriel Jareta)

Cobertura quase total

Atualmente, 98,3% dos municípios brasileiros mantêm em funcionamento um Conselho Tutelar, como previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo dados do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), órgão ligado à Secretaria de Direitos Humanos, em 1999 esse índice era de 55%. Há uma recomendação extraoficial para que cidades de médio e grande porte tenham um Conselho para cada 200 mil habitantes, mas a legislação não estabelece critérios a esse respeito.

Fonte - Revista Escola Pública

Paulistas, nordestinos, brasileiros

AE - Aldo Rebelo - AE

"O meu pai era paulista,

Meu avô, pernambucano,

O Meu bisavô, mineiro

Meu tataravô, baiano"

(Chico Buarque - Para Todos)

A manifestação virulenta e desprovida de qualquer teor de humanismo de uma estudante de Direito na internet reabriu o debate acerca do preconceito contra nordestinos em São Paulo e repõe a reflexão sobre o sentimento de unidade e identidade nacionais. Tão preocupante quanto a intolerância das diatribes é a contrapartida que simula respeito, mas diferencia nordestinos e paulistas como populações distintas dentro da mesma nação. Houve quem, a pretexto de defender os nordestinos, os comparasse aos mexicanos, como se o Nordeste fosse para o Brasil o que o México é para os Estados Unidos.

São Paulo tem culpa no cartório? É verdade que ramos obsoletos do pensamento paulista se empenharam em forjar um conceito de paulistanidade que a pesquisadora Jessita Maria Nogueira Moutinho cunhou de "ideologia afirmadora da superioridade étnica, econômica e política dos naturais do Estado de São Paulo". Nesse campo minado se inscrevem as obras de Alberto Salles (A Pátria Paulista, 1877) e Alfredo Ellis Jr.

(Confederação ou Separação, 1933). A essa mirrada corrente de opinião escapou, para começo de conversa, a formação social paulista e nela, a presença do índio. Antes de quase tudo virar italiano, São Paulo era a cidade portuguesa mais indígena do Brasil, a ponto de aqui se falar mais a língua tupi, cuja presença se perpetua a cada esquina em nomes como Ibirapuera, Anhangabaú, Itaquera, Tietê. A elite ilustrada jamais renegou essa origem, ao contrário, sempre se orgulhou de descender do cacique Tibiriçá - fundador da cidade com o padre Nóbrega -, pai de Bartira, sogro de João Ramalho, o Adão dos quatrocentões da Pauliceia.

Para além das arengas ideológicas e intelectuais, quando os interesses econômicos e políticos de São Paulo destoavam do restante do País, jamais se formou aqui uma corrente de massas capaz de ameaçar a integridade da Nação. A paulistanidade não é um conceito exclusivo nem excludente. Os imaginários regionais são fecundos em todos os Estados - a paulistanidade, a mineiridade, o gauchismo e a pernambucanidade são manifestações que propiciam a síntese da fisionomia local como parte da identidade nacional. Os lugares de história mais densa valorizam suas características, exaltam seus traços e constroem um imaginário que mesmo quando desafia o restante do País não afronta a unidade nacional.

É assim que, para ficar no plano das grandes lutas históricas, os mineiros celebram a Conjuração de Tiradentes; os gaúchos, a Farroupilha; os baianos, a Revolta dos Alfaiates e o 2 de Julho; os pernambucanos, a Insurreição de 1817, a Confederação do Equador e a expulsão dos holandeses em 1654; os paraenses, a Cabanagem.

São Paulo cobre de glórias seus bandeirantes, e o que chamam de Revolução Constitucionalista de 1932 teve como objetivo não o separatismo, mas a redemocratização do País, celebrando como resultado a convocação da Constituinte de 1933. É de registrar a preocupação do governador Pedro de Toledo em mandar imprimir dinheiro para o movimento de 1932 com a efígie de heróis nacionais como Caxias, Tamandaré, Floriano Peixoto e Rui Barbosa. Ressalta ainda os dizeres do brasão criado na ocasião, com a inscrição latina Pro Brasilia fiant eximia - Pelo Brasil faça-se o melhor.

A rigor, a geografia do Brasil é quase uma invenção paulista. A grande saga dos bandeirantes traçou os limites do território nacional, fincando a bandeira do futuro País em rincões recônditos - de Guaíra ao Rio Acre. São Paulo enviou regimentos para expulsar os holandeses da Bahia e de Pernambuco, e deles fez parte ninguém menos que o grande Raposo Tavares, à frente de 150 homens recrutados à sua custa. Nas páginas deste jornal Euclides da Cunha revelou o Brasil profundo ao Brasil urbano ao descrever a Guerra de Canudos, superando o positivismo cientificista abraçado por gente de fina inteligência e largo preconceito. A comovedora descrição que fez do sertanejo teve a força de uma revolução antropológica e cultural de valorização do homem nordestino.

O engenheiro e geógrafo baiano Teodoro Sampaio estudou a Bacia do Rio Tietê, foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Escola Politécnica, e deixou importante contribuição sobre as bandeiras paulistas na formação da geografia do Brasil. Hoje é nome de município no Estado e de rua na capital.

Na História cintilam episódios de colaboração decisiva entre nordestinos e paulistas - a exemplo do apoio do fazendeiro de Campinas Campos Sales ao alagoano Deodoro da Fonseca, proclamador da República e seu primeiro presidente. O governo de São Paulo, tendo à frente o mineiro Bernardino de Campos, foi o que mais ajudou outro alagoano, Floriano Peixoto, a consolidar a República - mobilizando tropas para combater a reação monárquica; 14 anos depois, o alagoano Manoel Joaquim de Albuquerque Lins governaria São Paulo, de 1908 a 1912. Ainda em São Paulo, a paraibana Luiza Erundina seria eleita prefeita da capital e o pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva iniciaria sua vida sindical e política rumo à Presidência da República.

São Paulo não discrimina os nordestinos como política nem em movimento social. A mocinha do Twitter é pouco mais que um caso de desatino. O desafio é amalgamar a identidade nacional sem as tentações das superioridades regionais e nos considerarmos todos filhos de uma só Pátria. O Brasil que continuamos a construir é o arquitetado pelo maior dos paulistas e também o maior dos brasileiros, José Bonifácio de Andada e Silva, ao traçar a política do jovem país: "Nós não reconhecemos diferenças nem distinções na família humana."

Fonte – Estadão Opinião

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MEC distribui laptops para secretarias municipais de Educação

Os 905 computadores distribuídos contêm instruções sobre os programas do Ministério da Educação

Agência Brasil

BRASÍLIA - O
Ministério da Educação começou a distribuir 905 laptops para os secretários municipais de Educação que estarão reunidos em Brasília até sexta-feira, 6. Os computadores portáteis contêm instruções sobre os programas do MEC.

Além da distribuição dos computadores, o MEC e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) dará palestras aos secretários dos estados de Goiás, do Maranhão, de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Piauí sobre o funcionamento do aparelho.

De acordo com a assessoria do ministério, cada computador portátil custou entre R$ 1.200 e R$ 1.500 para o governo federal. Os secretários que receberem os computadores terão prazo de 60 dias para enviar ao MEC cópia do documento que declare o laptop como patrimônio da Secretaria Municipal de Educação.

Para o secretário executivo do MEC, Henrique Paim, a distribuição dos laptops é uma maneira de levar a inclusão digital aos municípios. "O laptop envolve todo o trabalho que estamos fazendo de informatização. Essa ação visa a atingir o gestor de educação. Estamos distribuindo os laptops que contêm um conjunto de informações necessárias para o trabalho das secretarias. Como são muitas informações, é mais interessante que fique dentro de um equipamento que o secretário possa usar".

Segundo a presidente da Undime, Justina Iva, embora o governo federal pudesse fornecer as informações de outra forma, a entrega dos laptops é uma forma de incluir os municípios na era da informática. "É louvável essa iniciativa do MEC. É lógico que poderia ser entregue de outra forma, mas ocorre que a grande maioria dos secretários municipais não tem laptop. Em alguns municípios, não tem sequer computadores, então essa é uma providência muito interessante como forma de inclusão digital. Investir na educação não é gastar, é investir."

A secretária municipal de Educação de Santo Amaro do Maranhão (MA), Glacimar Facundes, afirmou, com o laptop em suas mãos, que o computador portátil será muito útil para o desenvolvimento do município.

"Na secretaria do meu município nós temos computadores, mas não laptops. Ele será muito útil porque é uma forma de estarmos sempre em comunicação com os órgãos e informados sobre os programas do MEC", disse.

Paralelamente ao encontro em Brasília, está sendo realizada reunião em Florianópolis (SC) com os secretários municipais de Educação de Santa Catarina e do Paraná.

A iniciativa faz parte de uma série de reuniões que o MEC e a Undime vão promover até 3 de abril para a capacitação dos secretários.

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